A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e o Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (OPSAN) organizaram na quarta-feira (18), como parte do 25º Congresso Brasileiro de Nutrição (CONBRAN), a oficina “Por uma comida que seja nossa!”.

A atividade, que aconteceu no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF), teve o objetivo de gerar reflexões e promover a cidadania alimentar com base no afeto, nas tradições e no direito.

 

“Estamos vivendo um momento fundamental em que a alimentação e a nutrição despontam com metas audaciosas no âmbito da Década de Ação das Nações Unidas sobre Nutrição e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, afirmou Alice Medeiros, consultora de Nutrição e Alimentação da OPAS/OMS no Brasil.

No entanto, ela lembrou a importância das políticas públicas, “que devem ser construídas coletivamente na luta por sistemas alimentares mais justos, equitativos e saudáveis para todas as pessoas”.

Medeiros declarou que ainda existem muitos obstáculos e desafios a serem superados para que o direito humano à alimentação adequada e saudável e o direito à saúde se tornem uma realidade para a população brasileira. “Juntos, vamos ressignificar a comida e perceber que comer é um ato político”.

A oficina, que foi realizada dividida em três momentos, contou com a participação de mulheres quilombolas, de religiões de matriz africana e terreiros, indígenas e agricultoras, que representaram a diversidade da alimentação nos mais diversos cantos e culturas do país.

Os participantes se reuniram em grupos para discutir aspectos relacionados à alimentação: afeto, tradição e direito. “A comida é poderosa. É mais do que nutrientes; é carinho. É mais que os ingredientes de uma receita; é afeto, e está presente em nossas vidas o tempo todo”, ressaltou Maína Castro, do OPSAN.

A mãe de terreiro Marcele de Xangô, afirmou que, nas religiões de matriz africana e terreiros, a alimentação não é apenas fundamental para a nutrição, mas também é considerada de forma simbólica, como parte dessa cultura tradicional.

“O alimento para gente é sagrado, rezado. É importante que as pessoas conheçam essa tradição. Não podemos deixar que nossa comida tradicional se perca com o tempo. Temos que resgatar as receitas de nossos avós e bisavós”, defendeu.

Fonte: ONUBR