Conhecida pela qualidade da farinha de mandioca, a rapadura e as belezas naturais dos morros e cachoeiras, a comunidade quilombola Furnas do Dionísio ganha ainda mais visibilidade em suas atividades rurais com a entrega do Selo da Identificação da Participação da Agricultura Familiar (Sipaf) no dia 09 de fevereiro.

A certificação é concedida pela Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) e dentro da comunidade foi viabilizada com o apoio do governo do Estado por meio da Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) e sua vinculada, a Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural).

Fundada em 1890, a Furnas do Dionísio conta hoje com 96 famílias que têm nas atividades agrícolas traço importante de identidade que preserva um pouco da sua ancestralidade com Dionísio Antônio Vieira, mineiro que fundou a comunidade após a abolição da escravatura.

A partir de agora as hortaliças, mandioca e a rapadura da comunidade já podem ter Sipaf estampados em suas embalagens. “Só tenho a agradecer as famílias daqui e as entidades apoiadoras na conquista do selo. É uma coisa que representa muito para a gente porque vai agregar mais valor ao nosso trabalho. O selo é uma reafirmação da qualidade dos nossos produtos que já são bem conhecidos”, afirmou o presidente da Associação de Pequenos Produtores Rurais da Comunidade, Adriano Silva.

A certificação tem validade de cinco anos, podendo ser renovada. É concedido às empresas e cooperativas, portadoras ou não de DAP – Declaração de Aptidão ao Pronaf, e a agricultores familiares, desde que portadores de DAP, para identificar produtos como verduras, legumes, polpas de frutas e laticínios, etc.

A assinatura de permissão de uso do Sipaf foi promovida no barracão das Furnas, sede da associação. “Também foi assinado o termo solicitando o outro selo Quilombos do Brasil, o Sipaf é o primeiro passo para que a outra certificação possa ser emitida. O selo não se limita a geração de renda, ele é uma afirmação de identidade, cultura e qualidade dos produtos para a comunidade e os consumidores dos produtos”, afirmou a delegada adjunta da Sead/MS, Adriana Aparecida Mansano.

Selo Quilombos do Brasil

Criado em 2013, O selo é uma estratégia criada pela SEPPIR para identificar produtos procedentess de Comunidades Quilombolas, como verduras, legumes, polpas de frutas, laticínios e artesanato. “O Sipaf é o que a gente precisava para dar entrada com o pedido desse outro selo”, disse o agricultor familiar Adriano Silva.

Tanto o Sipaf como o Selo Quilombos do Brasil associam aos produtos contemplados valores cada vez mais exigidos pelos consumidores e que de fato fazem parte de suas práticas, como sustentabilidade, responsabilidade socioambiental, valorização da cultura local e da produção regional. Já para a clientela, fica assegurado o direito de conhecer a origem do bem adquirido.

Fonte:  Agraer