Todo mundo conhece a boa fama do açaí da Amazônia, pois é um energético natural muito apreciado. Ele é rico em  vitamina E, proteína, fibras e minerais como ferro, fósforo e cálcio. O açaí juçara, da Mata Atlântica, também tem toda essa força e agora  pode ser apreciado na forma de picolé.

Na próxima sexta,  dia 10, vai ser lançado o picolé sabor açaí juçara, na 16ª Feira Regional da Economia Solidária e Mostra da Biodiversidade, no município de Passo Fundo, RS. Alvir Longhi, membro da coordenação da *Cadeia Produtiva Solidária das Frutas Nativas explicou para Rosal,  que  alguns dos produtos desenvolvidos, nesse âmbito, são os picolés de frutas nativas com os sabores de butiá, guabiroba, araçá, jabuticaba, goiaba e bergamota crioula.

Longhi disse que “nesse ano  foi possível articular também, para fazer o picolé de açaí juçara . É mais um sabor de picolé que também é totalmente feito, desde a etapa da produção, da colheita da fruta ao processamento da polpa de juçara, por membros da Cadeia Solidária das Frutas Nativas”.

A colheita e a seleção das frutas são realizadas por agricultores da região do Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Já o processamento das frutas em polpa é executado pela Coopernativa, que é uma cooperativa de processamento de frutas nativas que atende a região.  A produção do picolé é feita pelo empreendimento Encontro de Sabores, do município de Passo Fundo que também integra a Cadeia Solidária.

Poupa do fruto da palmeira juçara que se assemelha ao açaí (Foto: Divulgação / Centro Ecológico)

Polpa do “açaí de juçara”
(Foto: Divulgação / Centro Ecológico)

Por diversos anos, vem sendo desenvolvido pela Anama (Ação Nascente Maquiné) e pelo Centro Ecológico, um trabalho de promoção e valorização dos frutos com o tema das alternativas de geração de renda associada à conservação da palmeira juçara (Euterpe edulis ) e do ambiente onde ela se encontra.

Alvir relatou que  “ao coletar as frutas, o agricultor pode obter renda e partir disso podem surgir  alternativas para que não seja realizado o corte da palmeira, que não se regenera quando cortada. Então hoje,  as frutas do açaí juçara, que são coletadas para a transformação da polpa e a partir da polpa feitos outros produtos,  são provenientes de sistemas agroflorestais implantados na região do Litoral Norte do Rio Grande do Sul e também de atividades de extrativismo, ou seja, da coleta de frutas em ambientes naturais onde essa palmeira ocorre” .

Palmeira juçara (Foto: Divulgação / Centro Ecológico)

Agricultor no manejo da palmeira juçara
(Foto: Divulgação / Centro Ecológico)

O pessoal que participar do evento vai poder provar o novo sabor do picolé e os demais que já estavam sendo produzidos. Saborear esse produto é conhecer mais uma fruta nativa ameaçada de extinção, pois por muito tempo a palmeira juçara foi derrubada para extrair o palmito. Além disso os consumidores  estarão fazendo parte do processo de preservação dessa espécie e conservação ambiental e apoiando o trabalho desenvolvido por todos os integrantes da Cadeia Solidária das Frutas Nativas.

O picolé vai estar disponível na banca do Encontro de Sabores na  16ªFresol, em Passo Fundo.

* A Cadeia Produtiva Solidária das Frutas Nativas do Rio Grande do Sul busca implementar um outro formato de produção, processamento e distribuição de alimentos. Sob uma lógica de estímulo à conservação da biodiversidade local é reforçada uma dinâmica onde trabalhadores sejam protagonistas das diferentes fases deste sistema, se relacionando de forma integrada em uma perspectiva de complementariedade entre uma fase e outra.