Em entrevista ao site ” Carta Capital” a doutora Claudia Cezar,fala sobre o livro  Comer, Tratar, Curtir, de sua autoria.

Doutora em Nutrição Humana, Fisiologia do Exercício, especialista em Medicina Psicossomática e autora de dirige hoje o Instituto Perfil Esportivo de Pesquisa, Ensino e Consultoria em Obesidade Humana (Ipepcoh), de São Paulo.

A seguir um trecho da entrevista:

“Ex-professora da Universidade de São Paulo, onde o tema da obesidade já se tornara seu principal interesse, a doutora Claudia desviou-se da cátedra para o mundo das pesquisas científicas. Coordenou mais de 50 estudos na área e compartilha as descobertas daí advindas com cerca de 100 mil pessoas obesas – de crianças a idosos – pesquisadas por ela e seu time. Doutora em Nutrição Humana, Fisiologia do Exercício, especialista em Medicina Psicossomática e autora de Comer, Tratar, Curtir, Claudia Cezar dirige hoje o Instituto Perfil Esportivo de Pesquisa, Ensino e Consultoria em Obesidade Humana (Ipepcoh), de São Paulo.

CartaCapital: O título do seu livro é Comer, Tratar, Curtir. Existe de fato a possibilidade de que dietas alimentares não sejam de um rigor bem desagradável?

Claudia Cezar: Hoje é fácil observar que proibir alimentos ou apenas restringir-se deles não é se tratar da obesidade porque essa ditadura dietética não diminuiu seu crescimento mundial. A trama dos personagens esclarece pesquisas científicas usando cenas reais do consultório para evidenciar que “comer a mais” não é a causa da obesidade, mas uma consequência dessa doença inflamatória, degenerativa e multicausal.

Como cada caso é único, durante o tratamento a pessoa entende quais são as causas do aumento da sua gordura corporal para solucioná-las sem acrescentar mais sofrimento. Alimentar-se de forma agradável torna possível colocar a mudança do tratamento onde ela é necessária, no comportamento alimentar e não no alimento, pois sofrer é desnecessário.

CC: Seu foco são, basicamente, as crianças. Estamos diante do perigo de que elas venham a ser obesas e ao mesmo tempo mal alimentadas?

Claudia: O foco é alcançar a criança interior, ricamente tratada no documentário brasileiro Tarja Branca, pois psicanalistas como Sigmund Freud e Donald Winnicott entendem a obesidade mais relacionada à fase da oralidade. E faz sentido se, desde a infância, as exigências da vida adulta nos fizerem aprisionar essa porção divertida sem questionamento nem reflexão.

Mais de 60% das crianças no mundo já estão obesas e os educadores que fazem a pesquisa Avaliação do Estado Nutricional de Escolares (Aene) estão identificando o mesmo nas escolas particulares em São Paulo, porque os pais não são informados quando seus filhos estão obesos em nível de gravidade 1.”

CC: Onde está a maior tentação para a criança, em casa ou fora?

Claudia: Fora de casa fica evidente a ineficiência das leis para proteger o consumidor contra a perversão de quem se importa apenas com lucro. Dentro de casa, eleger culpados também não é solução, porque somos fruto da cultura e pais, familiares e educadores somente ensinam o que aprenderam.

A tentação é uma realidade, mas também precisamos entender que cedemos a elas graças às nossas necessidades celulares e emocionais. A história mostra esse fenômeno na dificuldade de o pai entender que sua esposa tem preferência por alimentos doces no desjejum.

De forma suave, o texto enfatiza nossa dificuldade de lidar com conflitos e de firmar, ou cumprir, acordos verbais. Tratar a obesidade ou educar filhos requer acordos, porém, se forem contextualizados, agradáveis e condizentes com nossas necessidades, nos permitem ceder a tentações com certa regularidade e ainda colaborar com a construção da boa saúde sem ninguém se irritar.

 

Aqui você pode ler o texto completo.

Fonte: Carta Capital