O Fórum Brasileiro de Segurança e Soberania Alimentar (FBSSAN) lançou neste mês a segunda etapa da Campanha Comida é Patrimônio em parceria com a Malagueta Comunicação. Para este ano, a proposta é de uma ação cultural conectiva, com dinâmicas comunicativas entre diferentes grupos e atores, identidades individuais e coletivas, mediadas pelo diálogo, numa relação social e política para a construção de conhecimentos.

Com o tema “Ocupe a cultura alimentar”, serão expostos na internet uma série de 10 pensamentos-pimentas, criados a partir da Colagem, linguagem artística que combina imagens, texturas, palavras e movimentos para compor uma nova imagem, provocando leituras e interpretações ao justapor diferentes materiais. O artista surrealista Max Ernst, considera essa linguagem não apenas como uma técnica de arte plástica, mas um conceito, a que o próprio Ernst chamou de collage.

Segundo o filósofo Vílem Flusser, a colagem evoca, por exclusão e recusa, o mundo codificado e impõe por justaposição e, portanto, por síntese, a releitura de tal mundo. “Isso porque a síntese proposta pela colagem não é um fim em si mesma, mas incita a desmembramentos infinitos, que são as possibilidades de reler o mundo”.  Assim, o Fórum, em sua campanha, reafirma a defesa da comida como um patrimônio, a partir das diversidades de sentidos que essa linguagem pode suscitar, estreitando os vínculos entre Segurança Alimentar e Cultura. As colagens  foram feitas manualmente pela artista visual Carolina Amorim e a identidade visual da campanha foi desenvolvida por Gregor Faching.

A primeira série de pensamentos-pimenta terão os seguintes temas: Caminhos, fluxos e identidades; Quem mexeu na minha comida?; Cadê a comida de verdade? e Bio…what? Aonde está a biodiversidade?, além do tema-chave “Ocupe a cultura alimentar”. A segunda série será lançada em novembro. Cada pensamento será postado na página do Facebook do Fórum durante uma semana numa proposta de exposição colaborativa, onde os internautas serão provocados a compartilhar suas impressões. Com essas ideias e palavras, será construída uma matéria, com as principais questões levantadas. Ao final das postagens nas redes sociais a exposição itinerante Comida é Patrimônio ganhará as ruas com a exibição da mostra das colagens em eventos e encontros organizados pelo Fórum, em parceria com outras organizações ou na qualidade de convidada em eventos comprometidos com a temática dissociados do Fórum.

Ocupar a cultura alimentar, por quê?
Nosso convite, provocação ou convocação (como desejar o leitor), é para ocupar a cultura alimentar com sua rica agrobiodiversidade de saberes, fazeres e práticas, do quintal à mesa. Acreditar e apoiar a agricultura familiar camponesa, a agroecologia e a cultura é religar, tecer e reconstruir, em redes, uma nova forma de fazer política a partir do pensamento complexo, do diálogo de saberes e das epistemologias latinos-americanas que emergem, como o Bem-viver e o Bem-Conhecer e, poque não, o Bem-Comer?. Ocupar a cultura alimentar é também compreender a potência de três práticas que estão intrinsecamente ligadas a nossa maneira de existir e organizar a sociedade:  cozinhar, comer junto e compartilhar comida.

Dessa forma, e, a partir do ato alimentar, podemos trazer de volta as conexões simbólicas do comer, que é uma das maneiras mais eficaz de comunicação e autorepresentação, nas quais podemos expressar e preservar a identidade cultural, construindo uma luta efetiva contra a colonialidade do poder e do saber. É preciso dar visibilidade a outras formas de produzir alimentos e construir conhecimentos sobre o que se come, bem como anunciar a diversidade de maneiras de comer, viver e de se comunicar por meio da comida.

De acordo com Víctor Toledo e Narciso Barrera-Bassols, autores do livro A memória biocultural”, o modelo social dominante se restringe a imitar ou a reproduzir uma única forma de observar, conhecer e conviver com o mundo, isto é, com os seres vivos (e não vivos), assim como os processos ecológicos locais, regionais e globais do planeta.

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Fonte: Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN)