Diga o que comes e te direi quem és!” foi uma das frases que o Professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural – PGDR/UFRGS, Sergio Schneider usou para se referir ao modo como os hábitos aos poucos estão mudando e como as pessoas estão preocupadas com o que consomem. Essa mudança se refere não só à alimentação, às exigências dos consumidores com relação ao que escolhem colocar à mesa, mas também à forma de produção pela qual passam os alimentos oferecidos no mercado. Segundo ele, estamos vivendo um momento de crise em que buscamos em todas as partes do mundo uma saída para ter uma vida melhor, vendo que chegamos ao limite de um modelo econômico que não tem sido favorável  para a maioria da população mundial.

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Estas e outras considerações foram colocadas durante uma “Roda de Conversa: Agricultura e Alimentação em Sociedades Urbanizadas” no espaço da Emater/RS-Ascar durante a Expointer 2017,  em colaboração com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) quando, além dele, o professor Jean Philippe Révillion, Vice-Diretor do Centro de Estudos e Pesquisas em Agronegócios – CEPAN/UFRGS, também falou do aumento de hortas urbanas por vários lugares do mundo. Os exemplos mais acessíveis estão na Europa e nos Estados Unidos, talvez porque nosso olhar acaba sendo mais para este lado do mundo. O importante é que através de pesquisas feitas dentro da Universidade e de troca de informações entre grupos preocupados com questões alimentares, percebe-se um aumento na procura de consumo mais saudável, de produção do próprio alimento e nos levando a praticar costumes mais antigos de nossos antepassados, antes de tanta produção de alimentos industriais.

Há um crescimento cada vez maior de consumidores em busca de boas práticas, de alimentos de qualidade que não geram doenças e problemas futuros. Comunidades grandes e pequenas, dentro e fora das cidades estão se unindo para encontrar o alimento mais adequado e menos prejudicial à saúde. Dentro deste grupo estão também produtores rurais, agricultores que querem colocar no mercado bons produtos, querem se relacionar com as pessoas mostrando que estão fazendo bem para os demais e não apenas vendendo sua produção sem pensar no outro.

A produção urbana e orgânica tem sido tão comum que a Emater está trabalhando agora não apenas com produtores, mas também com consumidores. Segundo a fala do Supervisor da Regional Porto Alegre e medico veterinário, Rui Rotava, há bem pouco tempo não se tinha esse olhar urbano com relação à produção de alimentos e que agora tem sido um dos focos da instituição. Na Expointer deste ano, o espaço ocupado pela Emater também mostrou possibilidades de cultivo e orientações para a produção de hortas urbanas. Uma ampla área que exibe quais os tamanhos e tecnologias possíveis para que haja uma boa quantidade de produção de alimentos em pequenos espaços ou áreas comuns, como foi o caso de teto do Shopping Eldorado em São Paulo que serviu de exemplo de iniciativa conjunta neste sentido. Lá os resíduos da praça de alimentação são processados para serem usados como adubo nos canteiros plantados do telhado do edifício. E a produção colhida de lá é consumida pelos restaurantes ou vendida diretamente.

Esta roda de conversa é uma das muitas atividades promovidas para o lançamento da III Conferência Internacional Agricultura e Alimentação em uma Sociedade Urbanizada, que será realizada em 2018 pela UFRGS em Porto Alegre.

Segundo o professor Schneider, o produtor vai ter de observar como e o quê o consumidor procura, pois estamos cada vez mais bem informados e a tendência é querer saber mais. Estamos vivendo uma mudança econômica que passa obrigatoriamente pela mudança na agricultura como sempre foi na história da humanidade.  O modelo atual de agricultura está em crise e já busca novas formas de produção, baseadas na saúde de quem produz e quem consome em toda a cadeia produtiva. E quem tem um pouco mais de renda e de consciência, vai em busca do melhor para sua saúde, está disposto até a pagar um pouco mais pela garantia de estar consumindo um alimento realmente saudável. As novas gerações estão muito mais ligadas !