Para Guilherme Cassel, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, o objetivo último do golpe neste setor é quebrar a estrutura produtiva da agricultura familiar e dos assentamentos de Reforma Agrária, reconcentrar a terra e ampliar o mercado para as grandes transnacionais de alimentos. Em entrevista ao Sul21, Guilherme Cassel fala sobre o processo de desmonte do MDA e de suas políticas e os seus objetivos. “Além de extinguir o ministério, interromper as desapropriações e cortar os recursos para assistência técnica, manutenção e investimentos, as propostas que estão apresentando não apontam para o assentamento de novas famílias, mas sim para a legalização da grilagem de terras no Brasil”, adverte.

Sul21: O que significou a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário em termos de formulação e execução de políticas públicas nesta área?

Guilherme Cassel: As maiores crueldades institucionais sempre vêm embaladas com muito requinte, seja para desviar a atenção, seja para esconder o conteúdo que realmente possuem. Quando o governo golpista assumiu, eles tinham um objetivo, que tinha a ver com forças de mercado: desestruturar a agricultura familiar. Quando falo de agricultura familiar, incluo aí também os assentados da Reforma Agrária. Desde 2003, no início do governo Lula, a agricultura familiar começou a crescer muito do ponto de vista econômico, ocupando espaços de mercado cada vez maiores e ampliando a sua influência. Isso contrariava interesses dos grandes latifundiários. O compromisso do governo golpista era abrir mercado para o latifúndio, desestruturando as políticas públicas de Reforma Agrária e da agricultura familiar, o que é muito grave e cruel.

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Fonte: Sul 21

Marco Weissheimer